domingo, 16 de maio de 2010

talvez o mais difícil hoje
seja saber de onde tirar essa vontade
pra quê querer existir, que sentido faz a minha vida e a sua

depois de tudo o que foi feito
depois de tudo o que se descobriu, desencantou
tudo o que se abriu e nunca mais voltou
depois de tudo isso
talvez o que nos caiba seja o silêncio

não o silêncio da criação
da maturação de algo
mas
o silêncio da ausência

da ausência completa de sentido
da ausência completa de força
da ausência completa de gozo

sexta-feira, 14 de maio de 2010

É estranho pensar em como não nos reconhecemos a partir de um tempo. Nosso rosto, nosso cabelo, as feições. Às vezes até a roupa que usamos. A gente se estabelece à revelia do que pensou pra si. Do que racionalizou, pensou, definiu, mensurou. Imagina, nem a gente mesmo se obedece. As pessoas são anárquicas, indomáveis, por natureza. Selvagem. Indomável. Nebulosa.