laço de fita que desce
e re-desce tentando envolver sem que
perceba; o presente da caixinha é muito
maior, escorre pelos cantos, entorna pelo chão.........
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terça-feira, 29 de junho de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
talvez o mais difícil hoje
seja saber de onde tirar essa vontade
pra quê querer existir, que sentido faz a minha vida e a sua
depois de tudo o que foi feito
depois de tudo o que se descobriu, desencantou
tudo o que se abriu e nunca mais voltou
depois de tudo isso
talvez o que nos caiba seja o silêncio
não o silêncio da criação
da maturação de algo
mas
o silêncio da ausência
da ausência completa de sentido
da ausência completa de força
da ausência completa de gozo
seja saber de onde tirar essa vontade
pra quê querer existir, que sentido faz a minha vida e a sua
depois de tudo o que foi feito
depois de tudo o que se descobriu, desencantou
tudo o que se abriu e nunca mais voltou
depois de tudo isso
talvez o que nos caiba seja o silêncio
não o silêncio da criação
da maturação de algo
mas
o silêncio da ausência
da ausência completa de sentido
da ausência completa de força
da ausência completa de gozo
sexta-feira, 14 de maio de 2010
É estranho pensar em como não nos reconhecemos a partir de um tempo. Nosso rosto, nosso cabelo, as feições. Às vezes até a roupa que usamos. A gente se estabelece à revelia do que pensou pra si. Do que racionalizou, pensou, definiu, mensurou. Imagina, nem a gente mesmo se obedece. As pessoas são anárquicas, indomáveis, por natureza. Selvagem. Indomável. Nebulosa.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Eu, na verdade não sei. Não sei como definir essas coisas tão inexatas como querenças e existenças. Eu tenho sempre muitas dúvidas, e talvez na verdade goste delas. Pode alguém gostar das próprias dúvidas? Eu acho que não sirvo pra falar, pra dizer, definir alguma coisa ou alguém. Eu gosto dessa região turva e estranha do pensamento inacabado. Até meu cabelo é turvo e estranho às vezes. Às vezes preto, às vezes castanho e com o sol ele de quando em quando chega a um quase loiro. Meu olho fala tanto de mim que quase cala, tão confuso deixa quem vê. Eu acho que eu pareço um olho pendurado num chumaço de cabelo turvo e claro, num suporte estranho de peles e ossos. Deve ser por aí. E dentro desse olho e cabelo e pele e osso tem sempre uma coisa que borbulha, um não-sei-o-que de quente e de vazio e de explosão também. Mal cabe tanta coisa. E às vezes realmente não cabe. Escorre viscoso e me assusta. Às vezes eu também sou susto. Talvez até muitas vezes.
STL
São Thomé das Letras
São Tantas as Letras
Saudades Tensas em Letras
Letras de Saudade em Tinta
Traz a Saudade Logo
Livra a Tensão Suave
Sobe Livre de Ti
Trouxe o Santo Libério
Sem
Ti
Louca-me
São Tantas as Letras
Saudades Tensas em Letras
Letras de Saudade em Tinta
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Livra a Tensão Suave
Sobe Livre de Ti
Trouxe o Santo Libério
Sem
Ti
Louca-me
sexta-feira, 1 de maio de 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
A solidão dói. Máscara de gelo que envolve meu corpo. Rachaduras que não se sabem passagem ou tampão pra um eu mais macio, se ainda me lembro que é maciez. Quilômetros separam-me de ti. Insistem em se alongar, criam espaços infindos e instransponíveis, onde nenhuma ponte tem engenharia possível. E já nem sei em mim o que é carência, falta, desejo ou simples tesão. A faísca me atrai, irresistíveis dez segundos de amor. Em seguida cai, obsoleta, inerte, errônea.
Haverá calor suficiente pra que Antártida se degele?
Haverá calor suficiente pra que Antártida se degele?
domingo, 26 de abril de 2009
domingo, 19 de abril de 2009
Não
Não me queira
não me toque
não me olhe
não me cheire
não me fale
não me veja
não me inspire
não me lamba
não me morda
não me alcance
não me beije
não me atice
não me escute
não me falte
não me escorra
não me prenda
não me ame
não me pingue
não me deixe te amar
não me toque
não me olhe
não me cheire
não me fale
não me veja
não me inspire
não me lamba
não me morda
não me alcance
não me beije
não me atice
não me escute
não me falte
não me escorra
não me prenda
não me ame
não me pingue
não me deixe te amar
terça-feira, 14 de abril de 2009
sábado, 11 de abril de 2009
quinta-feira, 9 de abril de 2009
letras de saudade
tu
teu cheiro
nós
em laços
subindo
subindo
coração era uma flor
que se entregava
delicadeza dum afago
como o buquê que me destes
minha língua
nada diz
apenas aguarda
lembrando o encontro da tua
e a festa que fazia
por existirmos
minha pálpebra
recusa-se
a abrir-se ao mundo
sem tua presença
o coração
esqueceu-se
pensa que bater é questão de capricho
paralisa meu sangue
corta minhas veias
sufoca meu ar
teu cheiro
nós
em laços
subindo
subindo
coração era uma flor
que se entregava
delicadeza dum afago
como o buquê que me destes
minha língua
nada diz
apenas aguarda
lembrando o encontro da tua
e a festa que fazia
por existirmos
minha pálpebra
recusa-se
a abrir-se ao mundo
sem tua presença
o coração
esqueceu-se
pensa que bater é questão de capricho
paralisa meu sangue
corta minhas veias
sufoca meu ar
pinga de tua boca
o fel com que me feriste
traça no chão
um torto caminho
gota após gota
sangue
saliva
suor
excretos que se misturam
comigo
com a poeira
que juntos construímos
a língua agora toca
céu de veneno
e meu sexo despreza o teu
com as unhas
me rompes o peito
deixas à mostra
coração em sangue
amarrado
algemado
petrificado
vivo
o fel com que me feriste
traça no chão
um torto caminho
gota após gota
sangue
saliva
suor
excretos que se misturam
comigo
com a poeira
que juntos construímos
a língua agora toca
céu de veneno
e meu sexo despreza o teu
com as unhas
me rompes o peito
deixas à mostra
coração em sangue
amarrado
algemado
petrificado
vivo
a violência dos teus olhos
invade-me
sem dó
com um giro de olhar
contorço minhas pernas
fecho-as
forte
no momento seguinte
os olhos novamente
encontram-se
fazem encontrar
todo meu corpo
em teu corpo
cola-os como amantes
infiéis
que se grudam em todo lugar
penetras-me
e finges não saber
que teu sangue escorre em mim
e teu sêmen me invade
explodindo o oco útero
invade-me
sem dó
com um giro de olhar
contorço minhas pernas
fecho-as
forte
no momento seguinte
os olhos novamente
encontram-se
fazem encontrar
todo meu corpo
em teu corpo
cola-os como amantes
infiéis
que se grudam em todo lugar
penetras-me
e finges não saber
que teu sangue escorre em mim
e teu sêmen me invade
explodindo o oco útero
domingo, 5 de abril de 2009
cru
quero verdade verdadeira
e mundo sem medo
quero inteiro
sentido
vivido
cheirado
quero amor
e mais amor
louco
de tanta sanidade
quero olho que veja
e boca que diga
mundo revirado
verdade revelada
sensibilidade tocada
humanidade.
será possível que é tanto o que peço?
e mundo sem medo
quero inteiro
sentido
vivido
cheirado
quero amor
e mais amor
louco
de tanta sanidade
quero olho que veja
e boca que diga
mundo revirado
verdade revelada
sensibilidade tocada
humanidade.
será possível que é tanto o que peço?
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