sábado, 24 de janeiro de 2026

 Espelhamos. Código decifrável de fora para dentro-fora.

Miramos. O reflexo da imagem tremula na paisagem

Descemos. Infindável senda que nos leva enfim

Amamos. Assombrados, nos jogamos, fora de nós

Que estes olhos deixem de ver

O que já não posso tentar esconder


Sem Tempo

 Não escute esse chamado

Pode ser tarde demais

Há tanto a dizer, tanto a fazer

e nenhuma vontade


me deito sozinha

e não abro a porta

amparo meu ser

desabo na angústia


O que não é de hoje

O que vi não é passado

No sem tempo - perdoado

No aqui mal realizado


Me deixe esquecer

que um dia te vi

Me deixa esquecer

que um dia te quis


O que tenho para dar

nenhum destino recebe

Solto, sozinha, no espaço

à espera 


Primeira pele

 Na minha roupa suja

a história marcou

- as vestes do que fui


soterrei o amor

e nem o ruído dele ficou

- sufoquei o sentido


hoje me torno

estupor e furor

- onde ainda faça sentido


O que acontece

o que acontece por baixo

do que me faz na pele,

embaixo

o que acontece soterrado

entre quinquilharias esquecido

postergado, adiado, não visto


o que acontece embaixo

do solo e desse véu

um coração pulsa

bate, espassa, solta e pula


corre entre meus dedos

ganha a multidão

perco meu som, que sangra e corre de mim

como um cachorro infeliz

de cuja coleira se livrou


Corre a galopes, a sentir o vento do mar

a brisa que toca o coração a saltar

o toque macio que faz recordar

a vida, ainda

há vida, ainda

meu amor, ainda